sexta-feira, novembro 30, 2001

Experiência de ser Assaltado

Bom galera, já fazem várias semanas desde que fui obrigado a passar por essa experiência que não desejo para ninguém e vem se tornando tão normal em nosso país. Resolvi aproveitar esse espaço para escrever sobre o que aconteceu.

Vivi essa passagem em Campinas, cidade onde trabalho e que admirava, até o acontecido.

Tinha ido para o trabalho e como estava me sentindo muito mal procurei um médico no Cecom (uma das repartições do Hospital das Clínicas da Unicamp, local onde trabalho). Fui informado pelo médico que estava com faringite e que deveria ficar em casa por 2 dias. Fui até o trabalho (no Centro de Computação) avisar sobre a licença. Fui dispensando e como ainda era muito cedo (para voltar com a van) resolvi voltar para casa de ônibus.

Antes passei no caixa eletrônico do Banco Real na Unicamp (onde fiquei mais de meia-hora esperando, pois um carro-forte estava executando as tarefas bancárias). Saquei 10 reais apenas para pagar o circular e a passagem para Limeira.

Peguei um circular e desci no ponto da rodoviária por volta das 10h30m da manhã. A partir daí começava meu drama.
Como estava mal, acabei esquecendo de retirar relógio, carteira e outros objetos que pudessem chamar atenção e guardá-los em minha mochila, como faço sempre como medida de precaução. Assim que desci e caminhava para a rodoviária (que fica a cerca de uns 50 metros de distância do ponto), fui abordado por uma homem que me pediu uma passagem para pegar o Alternativo (nem me toquei que no Alternativo eles não aceitam passe, somente dinheiro).

Disse-lhe que não tinha, mesmo porque nem morava em Campinas. Ele me pergunta de onde eu era e eu, meio impaciente e caminhando falo que sou de Ribeirão Preto. Ele aperta o passo e continua conversando comigo só que a minha frente (imagino que foi uma tática para que eu não corresse e ele ficasse para trás). O indivíduo me pergunta se eu conhecia um lugar em Ribeirão (ele deve ter inventado) e eu digo que não, e ele retruca que é um lugar bem legal.

Estamos quase chegando a um cruzamento movimentado e ele diminui o passo e eu acabo ficando lado-a-lado com ele novamente. Nesse momento ele chega bem próximo a mim e diz com a voz baixa "Dá uma olhada aqui", apontando para o lado direito da cintura (ele estava a minha direita). Ele levanta rapidamente a barra da camiseta e não consigo visualizar exatamente se era uma arma que ele carregava. "Não quero nada, apenas o seu dinheiro" diz ele em tom ameaçador. "Não olha pra trás agora. Tem um camarada meu, e qualquer coisa que você fizer ele mete bala". Fiz o que ele pediu e não olhei (sem poder desconfiar que ele realmente estava me enganando, já que depois descobri que ele estava sozinho). "Agora nos vamos sentar naquele banco ali" apontando para um banco da praça, do lado de uma banca de jornais. Sentamos e ele pediu que eu lhe passasse a carteira, o que fiz sem muita pressa para que ele não se assustasse com qualquer movimento. Pegou primeiro meu cartão do Banco Real e perguntou quanto eu tinha naquela conta. "Ah, essa conta eu quase não movimento, porque foi quando trabalhei em uma empresa...". E ele insisti: "Mas quanto você tem lá?". "Não deve ter nada", digo. "Não mente pra mim que a gente vai lá pra ver" disse. "Pode ir" falei com medo de que realmente ele encontrasse o banco onde eu tinha a maior quantia de dinheiro. Aí eu falei "Então, mas tem o Banespa", mostrando o cartão magnético que ainda estava na carteira. "Quanto tem lá" ele disse. "Ah, deve ter uns 200 reais" falei. "Então a gente vai lá" falou ele levantando do banco.

Engraçado que nós estávamos num local super movimentado, do lado de uma banca de jornal e ele fuçando na minha carteira, e que ninguém que passava (e que via tudo) teve a bondade de avisar alguém. Bom, mas não culpo as pessoas, pois elas já são tão marginalizadas no dia-a-dia que acabam se acostumando com esse tipo de situação e preferem manter distância de situações como a minha.

Caminhamos na direção contrária a que estávamos fazendo e ele continuava com minha carteira aberta na mão, procurando mais coisas. Achou o cartão do Bradesco e foi a mesma ladainha: "Quanto tem nessa conta?". "Ah, essa conta também foi de uma empresa que eu trabalhei e que já saí". E ele ameaçando para que eu não mentisse, pois iríamos até o banco para conferir. Nessa conta realmente a história foi verdadeira e não devia ter mais que uns centavos.

Durante os cerca de 20 minutos que caminhamos ele voltou a me perguntar duas vezes a mesma coisa sobre os cartões do Real e do Bradesco. Percebi a total ignorância do indivíduo quando ele pegou meu cartão da Caixa Econômica Federal, que usei uma vez na vida para receber FGTS de uma empresa, e perguntou quanto eu tinha... Perguntei se ele ia me devolver pelo menos meus documentos e os 5 reais que haviam me sobrado para comprar a passagem de volta para Limeira. Ele disse que ia devolver minha carteira e que deixaria os 5 reias também. Após mais um tempo ele disse: "O que você tem no bolso?". "Minha chave e meu celular" falei. "Celular, é? Deixa eu ver". Passei meu celular, lembrando-o que estava desligado pois estava sem bateria. "Bonitinho ele, que tipo que é?" disse ele, referindo-se ao plano do celular. "É pré-pago" falei. "Você pode cancelar né?" falou. "Claro, é pré-pago!" falei em tom de "claro, seu ignorante!"... ". Então, tá vendo como eu sou bonzinho, vou até devolver seu celular", teve a coragem de falar o assaltante em tom de sarro. Coloquei o celular no bolso e continuamos caminhando.

Nos aproximávamos de um caixa 24 horas do Banespa e ele me orientou o seguinte: "Agora você vai lá e vai tirar tudo o que tem, tirar todo o limite e depois vai tirar aquele papel que mostra quanto você tem" (o ignorante refiria-se ao Extrato). "E eu vou ficar aqui fora e nada de fazer gracinha que qualquer coisa que você fizer eu te estouro hein...". Entrei no banco pensando que teria meu limite de 400 reais (que tinha sido aumentado de 200 para 400 reais). Mas para minha surpresa (e alegria, aliás nunca fiquei tão feliz por estar devendo para o banco) a conta acusava disponibilidade de 161,70 reais. Tirei 160 reais e depois tirei o extrato. Saí do banco, entreguei o dinheiro e o extrato e ele me devolveu a carteira. Pegou o extrato e falou "Como que é aqui?", referindo-se a leitura do extrato (ah como o cara era ignorante!). Aí mostrei no final do extrato a disponibilidade de 1,70 reais. Com meu dinheiro na mão ele disse alguma coisa religiosa (desconfio que era de meio religioso, por incrível que pareça), e continuo dizendo: "Agora você vai, não olha pra trás e não fala com ninguém". Comecei a caminhar normalmente de volta a rodoviária e dei uma olhada para trás e já não vi o indivíduo. Então comecei a correr.

Cheguei na rodoviária e fui direto ao guichê da Viação Cidade Azul para comprar a passagem para Limeira. Pedi uma passagem e fui procurar os 5 reias que estavam em minha carteira e nada. O malandro tinha me levado todo o dinheiro... nem as moedas o fdp (desculpas!) deixou. Tive que ir até um caixa do Banco 24 Horas e tirei mais 10 reias. Paguei a passagem e voltei para casa. Dormi a tarde toda para não ficar pensando no que tinha ocorrido.

Mas depois de tudo isso, tenho algumas coisas para compartilhar com vocês:
- Até hoje tenho medo de andar em locais desconhecidos e fico reparando em todo mundo.
- Campinas ficou marcada negativamente em minha vida.
- Nem em Limeira me sinto mais seguro.
- Deixei apenas um cartão em minha carteira (que evito levar comigo na maioria dos lugares)
- Ainda estou me recuperando do estrago financeiro.
- Senti na pele como está o Brasil
- Fiquei com mais vontade de viajar.
- Não entendo como a polícia pode ser tão falha (não tendo um representante num local tão movimentando como os arredores da rodoviária).
- Vou pensar muito bem para quem vai meu voto nas próximas eleições.

Bom, está aí meu desabafo

Qualquer comentário me escrevam.

RB

quarta-feira, novembro 28, 2001

Discussão sobre Religião

Bom, nesse blog queria deixar minha opinião sobre as várias discussões que ouço sobre religião.

Igrejas, Comunidades, Seitas, Grupos, etc... são alguns dos nomes que já ouvi falar e que expressam algo sobre religião. Padre, Pastor, Presidente, Rabino, Chefe são as pessoas que ficam encarregadas de coodenar a retransmissão da missão de sua prática religiosa. Deus, Jesus, Jeová, Buda, Animais, Espíritos são os responsáveis por essa muvuca religiosa...

Existem também as pessoas "sem-religião", que pregam o viver por viver.

O que não entendo é como essas diferenças possam causar tantos atritos entre as pessoas. Dependendo da região analisada, esses atritos podem ser apenas discussões da hora do café ou mesmo levar à guerras sangrentas. Tudo em favor dos ensinamentos de cada religião, ou melhor, em favor da opinião de cada um. Porque cada pessoa interpreta os ensinamentos a seu modo. Por exemplo: a maioria dos católicos lêem a Bíblia e aceitam tudo o que os padres dizem, o que não deveria acontecer, já que esse livro contêm muitos textos que podem ser interpretados de várias maneiras diferentes. E não acho correto o que muitas igrejas fazem com essas interpretações, usando-as como motivo para atrair mais seguidores (e o consequente aumento de arrecadação). Aliás, também não acho correto que se cobre nada das pessoas. Até parece que igreja é comércio, onde se obtém ajuda em troca de alguma contribuição. O capitalismo toma conta até mesmo dessas entidades que deveriam servir de apoio nas horas difíceis da vida. Num ponto eu até concordo, pois sem nenhum dinheiro dificilmente algumas igrejas conseguiriam pagar suas contas básicas, ou mesmo fazer campanhas donativas. Mas é isso, e apenas isso. Nada de exageros e opulências tão visíveis em algumas religiões.

Em algumas pessoas a religião acaba sendo um veneno. O estilo de vida muda completamente, ignora-se tudo o que acontece ao seu redor, a pessoa esquece que esta vida é passageira e que deve viver intensamente cada dia. Que tudo no mundo nos foi emprestado, que nem sempre se pode trocar uma amizade pelo obrigação de ir à igreja.

Pecado? Mais uma coisa com muitas interpretações. Na minha opinião tudo o que uma pessoa faça com a consciência de que aquilo vai prejudicar outra pessoa pode ser considerado pecado (que carrega-se durante toda sua vida e um dia vai acontecer com você). Não só contra outras pessoas, mas contra animais, contra a natureza e tudo mais que seja considerado importante. Mas tudo o que se faça de consciência limpa, em favor de você e de outros não pode ser considerado pecado.

Enfim, por esses e outros motivos resolvi mergulhar nos ensinamento budistas, que de tão simples acabam sendo duvidusos para quem os desconhecem. A Sokka Gakai Internacional (responsável por uma das vertentes do budismo) têm suas raízes na filosofia de vida de Nitiren Daishonin, monge budista que viveu no Japão do século XIII. Os ensinos de Nitiren afirmam que cada indivíduo, não importando sua raça, gênero, capacidade ou posição social, têm o poder de superar os inevitáveis desafios da vida, desenvolver uma vida de grande valor e criatividade e influenciar positivamente a comunidade, a sociedade e o mundo. A filosofia de Nitiren originou-se dos ensinos de Sakyamuni, fundador histórico do budismo que viveu na Índia há aproximadamente 2500 anos. Nitiren descobriu que o Sutra de Lótus continha a essência dos ensinos budistas e a verdade para a qual Sakyamuni havia despertado. “... A vida é o mais precioso de todos os tesouros. Nem mesmo os tesouros do universo inteiro se igualam ao valor de uma única vida humana.” Nitiren.

Bom pessoal, aqui foi minha opinião. Não quero que isso seja um desafeto com alguém. Foi apenas uma forma que encontrei de expressar o que entendo sobre religião. Caso queiram discutir é só entrar em contato.

RB

sábado, novembro 03, 2001

Filme "Os Outros"

Nesse blog vou comentar minha opinião sobre esse filme, que assisti ontem, no cinema do Shopping Piracicaba. Fomos eu, a Lenice (motorista), Glauce, Kléber e Paulo.

Bom, para resumir o filme digo apenas: "Assistam!".

Os Outros é um filme de suspense muito bem produzido, que tem um reforço especial da atriz Nicole Kidman. Não posso falar muito do filme, senão ele perde a graça quando você for assitir.

Ele conta a história da família de Nicole Kidman (ela e o casal de filhos) que vivem numa casa misteriosamente assombrada com fantasmas de famílias que ali viveram em épocas passadas. O casal de filhos tem uma rara doença (fotossensibilidade), o que impede-os de ter contato direto com a luz. Isso os impossibilita de sair da casa. Após a ida do marido para a guerra, os empregados vão embora e Grace (Nicole) contrata mais 3 empregados. O filme transcorre com a vida dessa família mudando radicalmente. A filha de Grace, Anne (Alakina Mann) começa a ter visões de fantasmas e sua mãe, muito religiosa, acaba castigando a filha por isso. Após uma série de fatos ela própria acaba convencendo-se da existência dos fantasmas.

Desse ponto do filme não posso contar mais... assistam!

RB

quinta-feira, novembro 01, 2001

Este é meu primeiro contato com o Blog. Aliás, fui procurar a tradução de Blog e não encontrei. Mas traduzi como "Livro da Minha Vida" ou "Diário". Vou procurar usá-lo sempre para que todas minhas experiências possam estar guardadas e compatilhadas para quem queira ler. Bom, aproveitei a véspera do feriado e já comecei a pequena "ladainha"...
Agora me aguardem...

Até breve.
Richard